terça-feira, 3 de outubro de 2023

IV Bienal do Livro de Itabaiana Parte 01/02

 IV Bienal do Livro de Itabaiana – Rápidas Considerações

(Parte 01/02)




O pavio no qual eu teimava em manter acesa a chama da esperança na Bienal estava no fim, queimava meus dedos. Logo teria que o apagar. Eu partiria para o projeto de uma feira de livros no dia 22, onde meia dúzia de escritores convidados disputaria a atenção de duas dúzias e meia de visitantes apressados nos corredores do shopping Peixoto. Não prestaria! O nome Bienal e nome Itabaiana juntos atraem multidões.
Foi então que Honorino Júnior, que comandou a revista Perfil por 17 anos de sucesso,  resolveu parar sua empresa de construção e fazer a Bienal.
Graças a Deus!

E reanimou os velhos parceiros, arrumou combustível e acendeu um fogaréu.
E todos caímos em campo, dia e noite, escrevendo e rasgando rascunhos, batendo à portas em busca de recursos, o que eu não queria fazer mas fiz.

Chegou, finalmente, o dia da grande festa dos livros.

A expectativa confirmou-se, passou da conta, extrapolou, excedeu todos os sonhos. O shopping Peixoto, com instalações amplas e detentoras do ideal conforto, abriu suas portas (inclusive o estacionamento onde parte do evento funcionou) para receber uma multidão de crianças e gente grande, de olhos arregalados, alguns mostrando sua arte, outros desfrutando-a e todos gratificados pelos momentos raros. Como fazem falta eventos como esses, que criam fóruns onde produtores e consumidores de cultura mostram-se, negociam, trocam seus dons!


2017out19 (quinta-feira)

Calma, não é a Bienal ainda! Fui ao aeroporto recepcionar Aderaldo Luciano, poeta e missionário da poesia brasileira que tem nos prestigiado mesmo espremendo a sua agenda de pregador. Anderson Almeida pediu-me que o fizesse em seu lugar, estaria em Maceió onde é professor universitário. Missão mais honrosa nunca tive.
Fico atribulado quando aguardo um passageiro que nunca vi. Quero falar com todo mundo, na ânsia de acolher. Mas eu conhecia Aderaldo de outras bienais... E ele, baixinho, encoberto pelos passageiros apressados saindo da sala de desembarque, apareceu puxando uma maletinha rósea, do tamanho de nada. Onde estariam os exemplares do livro que o Brasil comemorava, o Romance do Touro? Teriam se extraviado mais uma vez, como aconteceu, na II Bienal, com Apontamentos para a História do Cordel Brasileiro?

Vindo atrás de Aderaldo, surgiram duas pessoas. Uma, eu conhecia de vista e de mídia, Ancelmo Oliveira (o jornalista mais acreditado e replicado do País), que tentei trazer em bienais anteriores e nessa aceitou vir. A outra, uma senhora no conforto de uma blusa de frio (o ar condicionado do avião congela!).  Só poderia ser Tina Correia, a premiada romancista de Essa Menina de Paris à Paripiranga, esposa de Ancelmo. Duas estrelas da Bienal, que só iriam chegar no dia seguinte, agora puxando malas, diretamente do Rio de Janeiro para Itabaiana, aos meus braços surpresos. Bem que eu estranhara traços dos Góis de Frei Paulo, família imensa que não pode passar despercebida de ninguém, no hall de espera!

O que fazer, senão acolher os três monstros sagrados, abraçá-los, me auto nomeando, ali, na hora, o embaixador plenipotenciário da Bienal do livro de Itabaiana? Atordoado, bati uma foto para registrar o momento e provar meu feito (de pura sorte) que não foi pequeno na minha imodesta avaliação.


2017out20 (sexta-feira)


Saí de Aracaju às sete horas, vieram comigo, de carona, Aderaldo Luciano e o poeta Pedro Amaro. O carro sobrevoou os canaviais da Cotinguiba, embicou serra acima, nem reclamou do peso da caçamba cheia de Os Curadores de Cobra e de Gente (lançamento) e de Meninos que não Queriam ser Padres (este, representante dos demais que ficaram em casa a contragosto, todos queriam vir junto e, depois, eu dei razão a eles, muita gente os procurou também).

A sexta-feira começou boa demais. Pena que eu não pude estar em todos os locais ao mesmo tempo, especialmente na Praça dos Escritores, onde me instalei em uma mesa no centro da alameda. Pensei, inicialmente, em ficar na esquina de entrada, frente ao fluxo previsível maior. Mas eu precisava de uma posição estratégica, para mais facilmente gerenciar os conflitos que eventualmente surgissem.
Arrumei os livros e já saí ao Auditório do Cinema, à cerimônia de abertura e entrega do cobiçado Falcão de Ouro, desta vez uma joia. Minha esposa, Cida, ficou cuidando dos Curadores e dos Meninos, mas os compradores passavam ao largo, fazendo pontaria sem disparar, conforme ela reclamou depois.

O Auditório do Cinema cheio mostrava que a Bienal não seria de brincadeira. Amorosa encantou com o hino nacional arrancado do fundo preservado deste Brasil varonil, seu coração de artista. Fiquei junto aos demais organizadores (que nem sempre estiveram tão juntos assim) e tive a honra de entregar o Falcão de Ouro a alguns amigos que admiro.
Pedrinho dos Santos, historiador das catacumbas da Epifânio Dórea, ao ser chamado, não apareceu para receber seu Falcão. Eu o vira antes nos corredores da Shopping queixando-se de mal estar, o ar lhe faltava perigosamente. Recebi, em seu nome, o troféu mais que merecido.

O Falcão de Ouro!

Um simples troféu, mas que simboliza muito aos organizadores da Bienal e parece que muito mais aos distinguidos. Até mágoas provocou em pessoas esquecidas (ou deixadas para a próxima vez, são apenas trinta em cada Bienal) que mereciam também.

Depois do almoço, retornei ao meu posto natural na Praça dos Escritores, acender luzes sobre Os Curadores de Cobra e de Gente. Muita gente parou, olhou, ouviu e comprou. Pena que o dia foi curto, e mais encurtado ainda porque precisei correr a setores que me chamavam: Tenda Cultural - assistir escolas apresentarem peças sobre meus livros; Feira da Cultura – ajustar desvios, abafar ruídos; Mesas de Debates – encher um pouco a sala com minha presença exígua, porque deslocar pessoas encantadas é trabalhoso. O Shopping Peixoto é imenso e os equipamentos da Bienal estavam espalhados. As pessoas queriam saber como chegar a cada um, e, lá ia eu ao Zanity, e não resistia à tentação e apresentava-lhes o conglomerado virtual espetacular, gastando tempo.xxx

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IV Bienal do Livro de Itabaiana - Rápidas Considerações
(Parte 02/02)


2017out21 (sábado)

Sábado é o dia da grande Feira de Itabaiana, uma atração à parte. A Bienal estava no caminho e recebeu tanta gente que travou nos corredores do Shopping Peixoto, algumas vezes. Vans e ônibus estacionavam aos fundos em uma área preparada a propósito pelo anfitrião zeloso, Messias Peixoto. Havia carros estacionados ao longo da rodovia, nas vias de circulação local, onde coubesse.

 Em entrevista, logo de manhãzinha conclamei, por minha conta e custo, as famílias a virem a bienal. ”Venham! Tragam filhos e amigos! Fechem as casas e fechem as cancelas os sítios. Não há, neste final de semana, nenhum passeio melhor do que a Bienal do Livro de Itabaiana”.

Boas vendas, tanto dos escritores como do Shopping do Estudante, a livraria que subiu de Aracaju com um alentado estoque de clássicos da literatura a preços simbólicos.
Uma senhorinha de Capela, que lera Meninos que não Queriam ser Padres (na instalação da Academia de letras da cidade, ela me abordou, eu ia passando, e aí corri pegar o livro, que sempre trago) veio, com a família, buscar Os Curadores de Cobra e de Gente. O pessoal do Corecon prestigiou a Bienal e fez fila na Praça. O escritor Marcos Melo (Propriamente Falando) trouxe a História da Academia de Propriá e a espalhou em uma mesa ao meu lado.

Daí a pouco, as trinta e duas mesas de autógrafos estavam cheias, precisei criar mais espaço, compartilhando-as. Escritores iniciantes disputavam a atenção do público ao lado de monstros sagrados. Albano Franco, Vladimir Souza Carvalho, Edson Ulisses, Tina Correia, de um lado, e os guris da Fies Itabaiana, os jovens do Colégio O Saber, e até eu, do outro.

Eu precisava ficar mais tempo na praça. A esposa, companheira também dessas empreitadas,  me alertava: “as pessoas passam, olham, mas vão embora se você não está aqui”, Mas eu precisava sentir a Bienal inteira, que a tinha como minha. Não perderia, por dinheiro nenhum, as palestras de Ancelmo Góis, Albano Franco e Tina Correia que aconteceram por toda a tarde (quase) no Auditório do Cinema. Fui às Mesas de Debates, elas são essenciais em uma bienal, mas que trabalho que dá levar público e muito mais convencer os palestrantes (via de regra estrelas acostumadas a grandes plateias) de que em Bienal é assim mesmo, seja ela de Itabaiana ou de São Paulo, há salas vazias e outras estupidas, sem motivos claros.

Mais uma escola de pequeninos encanta a todos com sua bandinha de instrumentos caseiros, desfilando nos corredores da Shopping... Anderson Almeida da Sofiva veste Saracura e toca dobrados. Alma Branca e Para sempre Itabaiana, de Maria do Carmo Costa, vieram trazer brilho à Praça também. Alonso, leitor fiel desde Os Tabaréus... Chico Gualberto, Murillo Melins, Eunice Guimarães, Jane Guimarães, Ilma Fontes, Rita de Fernandes... Nandinho de Sizino é bom leitor, e divulga Saracura por aí. Ribeirão, Euclides Oliveira, Fátima da Escariz, Salviano da Prontolab, Estácio Bahia, Tonho de tia Dezi, Lourdinha, Bernadete, Castelo... Ailezz trouxe parte da tribo dorotéia à Bienal (preciso das entrevistas inteligentes de João Neto). Sara Andrade, minha prima dos troncos dos ferreiros da Matapoan, Dilson Andrade, Rosilar de Abrahão, Zé Elicio poeta dos bons da Moita Bonita, a quem devo mil visitas, veio pela mão de Verissimo que é poeta e devotado filho... Uma família Tobias Barreto (marido, esposa e filhos), mora em um sítio na zona rural e cuida de um pequeno rebanho de ovinos, ouviu-me ao rádio e veio à Bienal conhecer os Curadores e muito mais livros. Isso deixa minha luta muito leve.

Muita gente amiga de livros levando pela mão Os Curadores.

Parei um pouco e corri ao lançamento da biografia de Fefi, a fila estava grande, mas consegui as assinaturas do autor admirável, Carlos Mendonça, e a do meu ídolo, Fefi. Quis aproveitar, já que estava na área, vestir a batina de Padre Kiba (que já deve ter chegado a monsenhor), e dar uma voltinha no cavalo do coronel Fudenço. Havia fila, na sacristia, de pessoas aguardando a vez de vestir a batina. Por outro lado, o pobre cavalo andava a resfolegar, agora com sete guris de uma escola do Carrilho no lombo abaulado.
Crianças do Colégio Dom José Tomaz do Rio das Pedras de Itabaiana (vivas às professoras Rosa Maria e Aglaé), em coro, cantaram a bela música “Cidade Serrana” de Walfran Soares. Divinamente. E outra turma da mesma escola, de veste talar, era a própria Academia de Letras. O Murilo Braga, comandado pela professora Jussane, encheu o palco com peças sobre nossas coisas boas, inclusive momentos da literatura de Saracura, nas quais Julian da Silva levou-me à infância no sítio bárbaro. Quase não retorno mais. 

2017out22 (domingo)


O Shopping só abria meio-dia, então corremos atrás de Vicente do Capunga, na feira de todo domingo, no loteamento Luiz Gonzaga, na saída ao Campo do Brito. Domingos Pascoal, o semeador de academias, de bienais e de muito mais, dava entrevistas, posava com vendedores de gêneros, grupo de estudantes e famílias. Anderson Almeida e a família inteira agiam na barraca dos artistas: boas comidas e boa prosa além da marca saracura no varal ao vento ou na serelepe garçonete (esposa do imortal). A procissão de penitentes levou o defunto de mentirinha ao cemitério do Rumo onde meus ancestrais descansam em paz. Bati fotos à sombra do Monumento ao Livro, que a Bienal mandou plantar junto ao pórtico, ao lado da sanfona do rei do Baião.


Abriu o Shopping Peixoto e entrou um senador querendo falar com alguém da organização do evento. Eu estava à sua frente e mostrei meu melhor sorriso de boas-vindas. Ele nem me ligou, seguiu adiante, ladeado por seguranças. Acompanhei-o como um acólito solicito, mas seus olhos buscavam contatos diferentes. Telefonei à Honorino, viesse correndo recepcionar o tal, pois ele não me reconhecia. Como de outras vezes. Então, fiquei mais na Praça dos Escritores fazendo a nobre tarefa de divulgar a literatura de Itabaiana ao mundo Muitos leitores novos levaram Os Curadores para casa. Satisfeitos. Ficarão muito mais depois que lerem o livro, tenho esperança. Como é cheia de mistérios essa arte de encantar as pessoas para comprarem um livro! Preciso desvendá-los.
Silvinha de tio Silvio ferreiro e mais primos longe e primos perto. Que bom ter raízes tão firmes! Luiz Eduardo Costa (obrigado por ter aceito o convite para uma mesa de Debates e para a Bienal). Wanderley Menezes a quem todos devemos pelo que sabe e ensina de nossa história. Ana Paula, leitora desde Os Tabaréus do Sítio Saracura ou até de antes. Tanta gente de bom gosto e agora amigos pra vida toda... Os livros abrem as portas do coração...

Mais leitores... Tanta gente! Impossível lembrar e citar todos os nomes.

Uma senhora alta e de rara beleza pediu-me Os Meninos que não Queriam ser Padres. Uma amiga recomendara. Levantei meus olhos e vi que os dela olhavam o vazio indefinido. E ela, apoiada em uma garota, dizia que o filho, o qual iria adotar, seria padre. Havia um brilho no seu rosto clássico, que me fez retornar ao passado. Ali, no zoar da bienal, enchi meus olhos de lágrimas e me perguntei, em silêncio: por que eu não fui padre? Deveria ter sido... As pessoas precisam muito de sacerdotes, como essa bela senhora de vestido estampado, talvez Maria José ou outros santos juntos, daí seu sonho de ter um filho padre, igual ao de minha mãe Florita na rude Terra Vermelha.
Para Agda minha prima que gosta de ler minha escrita”. Hugo veio antes, queria Os Ferreiros, mas eu só trouxe dois exemplares, e foram comprados nas primeiras horas da sexta-feira.

Messias Peixoto, o dono da casa, passava incansável prestigiando cada equipamento dessa Bienal muito sua também: tenho orgulho de ter nascido no mesmo povoado, pois nada separa o Cajueiro, da Terra Vermelha.

Eu não contava com uma bienal tão pródiga, gastei os pacotes que trouxe; não foram setecentos e tantos livros, mas valeram mais de um milhão.
Bati centenas de fotos no afã de eternizar cada momento. Pena que não demos conta de registrar cada leitor! As baterias dos celulares descarregaram antes do final da feira, nos três dias, não vi tomada ao alcance onde pudesse recarregá-las.

O que seria de minha literatura (da literatura de Sergipe) sem a Bienal do Livro de Itabaiana? Uma literatura de acanhada camarinha, talvez!

Já era o final, quase vinte horas, o shopping Peixoto ia fechar. Limpei minha meia mesa e fui desarmar os banners da academia Itabaianense de Letras, postos lá fora, para dizer a todos: “Nós Estamos Aqui”. O professor Taurino, a Livraria itinerante de Itabaiana, comemorava. Vendeu seu estoque e ainda ajudou autores a ganhar o mundo.
Peguei Zezé de Boquim, poeta maior da Academia Sergipana de Cordel, mais Alonso, leitor desde meu primeiro livro, e toquei pela estrada de Aracaju. O pau quebrava no Tenda Cultural, o grande palco. A banda de música de Boquim dava um show que escutei até o Rio das Pedras. Pisei no freio infinitas vezes, mas minha esposa, extenuada, no banco ao lado, murmurava para seguir em frente, pelo amor de Deus.

Por Antônio FJ Saracura, curador da Bienal e membro das academias Itabaianense e Sergipana de Letras (Aracaju, 11 de novembro de 2017)  




(Aracaju, 11 de novembro de 2017)  

Observação; Trazido do Antônio Saracura sobre livros lidos em 03/10/2023, havia 122 visitas. 

O Escritor na Livraria palestra na ASL

 O Escritor na Livraria palestra na ASL 2019abr08, Antônio Saracura,








1)      Saudações e agradecimentos
Senhor Presidente, prezados colegas e amigos da Academia Sergipana, do movimento cultura e visitantes
Prezados colegas de outras academias
Prezados amigos que não poderia deixar de citar nominalmente, mesmo nas saudação anterior
A todos saúdo e espero que aproveitem a palestra.


2)      Os painéis da história de Itabaiana, Sergipe e Brasil e o II Prêmio de Poesia.
Ratifico o convite que venho fazendo aqui, e o faço agora com veemência, para vocês (especialmente quem ainda não viu) darem uma olhada com carinho na exposição dos painéis que retratam a nossa história. Está aqui ao lado, no saguão cultural, Luzia Nascimento. E ficará até o próximo dia 15, segunda-feira. A Academia Itabaianense de Letras, e os nossos artistas, agradecem sua presença, também na exposição.
 Trouxe folders de divulgação para o concurso II Prêmio de poesia José Jorge de Siqueira Filho cujas inscrições vão até junho.

3)      Apenas revivendo um passado perto
Publiquei meu o primeiro livro em 2008, Os Tabaréus do Sitio Saracura, aos meus 63 anos de idade, oito após encerrar minha atividade como analista de sistemas que foi a profissão maior da vida toda.
Publicar custa dinheiro, que minguem tem. Exige sacrifícios, mesmo a mim, que dispunha de um acervo imenso de textos prontos. Minha vida inteira escrevi diários (já falei nisso), crônicas, romances, poesia, artigos para jornais. Guardo caixas cheias com cadernos de capa dura com as atas de meus dias passados. Além do que, fui treinado por trinta anos desenvolvendo aplicativos em computador que requer abstração do meio e viver em mundos imaginários.
Dar a forma final a um livro é uma maratona com fim indefinido. O mesmo livro assume mil figuras, cada uma excelente em um primeiro momento, mas nenhuma resiste a uma nova avaliação.
Foi uma decisão difícil publicar. Aconselhei-me com velhos parceiros do jornalismo (Luiz Antônio Barreto, João Oliva Alves), eles foram duros comigo. Mandaram-me resolver por minha conta.
Recebi os exemplares sob cara feia de minha esposa que temia perder seus espaços nos armários de casa.

4)      A busca ao leitor: Os lançamentos dos livros
Orientado pelos amigos, agora eles foram receptivos, fiz o lançamento do livro. O primeiro contato do autor com o leitor. O primeiro pra valer. O lançamento é uma festa para amigos. O leitor disperso dificilmente comparece, mesmo que tenha ouvido o rádio falar do evento. Ele vai se sentir deslocado, no meio de desconhecidos se confraternizando. O autor, ocupado demais em dar conta dos autógrafos, pouca atenção pode dar-lhe.
Os lançamentos sãos irmãos dos sepultamentos: Uma boa oportunidade para rever amigos sumidos, colegas solidários e parentes chegados.
Os parentes, amigos e colegas pouco leem e, depois, fogem de uma conversa sobre a obra com o autor. Muitas vezes, jogam elogios ao vento para escapar do flagrante.

5)      A busca ao leitor disperso
Esgotado a clientela do lançamento (cem exemplares), como vender o resto da edição (novecentos)?
 As redes sociais têm um importante papel na busca de novos leitores. Hoje é o canal mais importante de divulgação. Preciso de um curso técnico para me aprimorar nas ferramentas.
A participação em Feiras Literárias, Bienais, Concursos, Escolas, programas de rádio e televisão ajudam na divulgação. Tenho ido a todos que posso.
Há empresas especializadas em divulgar livros como há em eleger políticos desconhecidos. O custo do serviço pode ser maior do que o retorno com as vendas. Não me animei a andar ainda por esse caminho.
A propaganda boca a boca pode vender muitos livros. Requer boas vendas prévias. E como achar muitos abnegados que se apaixonem pela sua literatura?
As livrarias, entretanto, representam o melhor local de distribuição de um livro. Deveriam ser.
xxx
Deixei meu livro na livraria Escariz e ele se misturou aos milhares de títulos cintilantes. Como alguém o acharia?
Eu agora me sentia um pouco também a livraria. Não era justo circular nela como um simples cliente. Queria mostrar meu livro às pessoas.
Mas todas as portas me pareciam fechadas. Naquele luxo todo das lojas do shopping não via como chegar perto e conversar com meu livro tão solitário. Não havia outro escritor, identificado como tal, falando sobre seu livro, que eu pudesse imitar.

6)      Os primórdios que eu vi e vivi
1960 a 1964, há 55 anos mais ou menos e eu estava com 15. Muitos aqui nem haviam nascido. Eu estudava no seminário na rua Dom José Tomás 164, no bairro São José. Eu dava um jeito de engabelar o reitor, padre Carvalho, ou o prefeito do momento e, no final do expediente das sextas-feiras, descia até a rua João Pessoa, no centro da cidade de Aracaju. Nem sempre eu conseguia. Havia missas, palestras, adoração ao santíssimo, mil obrigações...
Os escritores famosos estavam na rua João Pessoa disponíveis. Vinham de suas casas ou das repartições e se aglomeravam no hall de entrada da livraria Regina. Mais do que na Monteiro e na Nascimento. Conversavam entre si e com quem aparecia, sobre livros. Eu era um moleque tímido, tabaréu como ainda sou, e ficava à parte, embasbacado com os monstros sagrados dos quais lera livros. É que eu possuía alguns privilégios no seminário: era o responsável pelo Museu onde imprimia-se o jornal O Clarim e pela arrumação da biblioteca na qual habitavam meus deuses.
J Freire Ribeiro, Santo Souza e Clodoaldo Alencar declamavam poemas inflamados que me aturdiam. Comprei “Sahara”, de Freire Ribeiro nem sei com que dinheiro. Gosto dos seus poemas. Comandaroba me arrepia! Em outro dia, ganhei Orós. Eu olhava com muita vontade e tinha nenhum tostão no bolso. Anum Branco me arrebatou com seus contos, especialmente os que que aconteciam em Itabaiana.
Não me lembro os nomes de todos os escritores que pairavam nas livrarias da rua João Pessoa no final da tarde de sexta. Renato Mazze Lucas, Pires Winne,  Cabral Machado, Alberto Carvalho. José Silvério, que me conhecia da capela do seminário, passava cumprimentando e ia embora orar na igreja do São Salvador sem nem me perceber. E Alphonsos Guimarães de quem comprei Poesias Completas a preço de banana. A cola ressecara e os cadernos estavam quase soltos. Dois volumes. Peguei o boi. Mesmo mineiro e falecido há muito, ele veio me cumprimentar acompanhado de sua Constanza, que fora ao céu cedo demais, prima dele e filha de Bernardo Guimarães. Bernardo possuía umas diferenças com o padre Carvalho, que não aprovou a linha de O Seminarista e achou muito exagerada a dor da Escrava Isaura.
Meninos que não Queriam ser padres falam um pouco desses momentos que jamais serão esquecidos. E dá conta rápida dos livros que compuseram minha biblioteca de estudante pobre. E como tive que abandoná-los quando a Petrobrás me transferiu para São Paulo nos idos de 1970. Deixei sob a guarda de meu irmão, Silva de Jesus, e espalhei alguns com amigos diletos, entre os quais, Expedito Souza. Recentemente, restabelecidos os laços, recuperei alguns com imensa festa íntima.

7)      Ribeiro mostrou-me à cidade.
Quando, em 2008, eu lancei “Os Tabaréus do Sítio Saracura”, um cidadão, chamado Ribeiro (Antônio Ribeiro), que entrava nos programas de rádio para expor seus pontos de vistas corajosos, sempre polêmicos, tomou-me pela mão, e me levou às rádios, à televisão e aos jornais. Apresentou-me a parte dos ilustres da terra. Eu puxado, de pescoço duro. Cabresto preso, tabaréu cismado, ele assim me chamava. Ribeiro vendeu meu livro pela cidade, fazendo alarde positivo, colocando-me como um marco na literatura sergipana.
Ele irrompia nas salas dos grandes, interrompia reuniões, cochilos, momentos íntimos. Não queria saber. E eu o acompanhava com o maior medo de receber um esbregue ou mesmo agressão física. E até houve casos de rejeição evidente, que um dia ainda contarei, se não morrer entes. Apresentou-me ao professor Paulino, ao poeta Marcelo Ribeiro, ao jornalista Clarêncio Martins, a poderosa Aglaé Fontes, a Euclides Oliveira, articulista da imprensa da Bahia, que se transformou em outro difusor, especialmente, na cidade do Lagarto, onde tenho bons leitores.
Apresentou-me ao célebre Murilo Melins, que me acolheu como a um velho amigo da boemia, puxou-me do chão e me acomodou em uma nuvem ao seu lado.
Murilo organizou um relançamento de meu livro entre amigos, em um bar da moda que funcionava na praça do São José, numa boca de noite. Convidara pessoas que valorizavam a literatura. Levei exemplares, no maior entusiasmo, achando que a sociedade sergipana inteira estaria presente. Caiu um toró no meio do verão tórrido. Nem o dono do bar apareceu. Foi até bom! Eu, Ribeiro, Murilo, o saudoso professor Roberto Mendonça Maia acompanhado da esposa apenas. Ganhei mais um grande amigo e divulgador apaixonado de minha obra, enquanto viveu, o especialista na segunda guerra mundial, Roberto Maia, de saudosa memória.

8)      A Busca intensa do leitor
Depois de Os Tabaréus do Sítio Saracura, publiquei, até 2012, Meninos que Não queriam ser Padres e Minha Querida Aracaju Aflita.
Muitas pessoas iam à livraria e me contavam (os que encontravam jeito) que os vendedores não conseguiram achar meus livros. Certamente estavam esgotados. Onde comprá-los?
Eu comemorava. Vendera todos. Levaria mais dez exemplares de cada título.
Mas a livraria não recebia. Ainda não vendera nenhum das remessas anteriores.
Onde estariam escondidos os livros que os compradores e os vendedores não encontravam?
Investiguei.
Estavam estocados nos subterrâneos inacessíveis. O sistema de busca dera um crash, estava em manutenção. Era a época dos didáticos, dos infantis, dos halloweens. Os funcionários não tinham a menor ideia de quem seria o Saracura solicitado. Meus livros mofavam, tão ignorados como eu era ali.
Eu então precisava ficar o tempo todo na livraria e acompanhar, no pé, cada cliente que aparecia para indicar o esconderijo de meus livros. Uma tarefa impossível. Precisava, pelo menos, ser conhecido e respeitado pelas equipes voláteis que fazem a livraria viver, que indicam aos clientes os bons livros. Eu e todos os escritores sergipanos pois nossa situação era idêntica, pelo que percebia. Tarefas inviáveis.
Mesmo que eu me apresentasse aos vendedores de um dia, quem garantia que, no dia seguinte, eles estariam ainda nos seus empregos?
Mas eu não via como penetrar na intimidade operacional das livrarias. Não conhecia as chaves e arrombar as portas me traria complicação com a polícia.

9)      Um birô na Jorge Amado
Então ouvi Murilo Melins (ou imaginei ter ouvido) falar que a Escariz mandaria instalar um birô/escrivaninha/gabinete na nova loja que seria aberta, no início de 2014, na avenida Jorge Amado. Seria um espaço exclusivo, devidamente identificado, onde ele (Murilo ou outro autor) poderia ficar ali sentado, conversando com leitores que circulassem na loja, confabulando com os vendedores.
A livraria então seria nossa. Deduzi e comemorei.
E veio-me à cabeça a imagem do passado, da Regina da rua João Pessoa dos idos de 1960, povoada de escritores vivos interagindo com os leitores, declamando, lançando livros.
Com o birô (gabinete) prometido de Murilo, eu não mais seria um rato anônimo na livraria. Nossos livros ganhariam pernas e andariam até os clientes...

10)   A Segunda Bienal do Livro de Itabaiana
Na Bienal do livro de Itabaiana, a Segunda Edição, acontecia em setembro de 2013. Mais ou menos na mesma época do prometido birô. Paulo Escariz participou de uma mesa de debates. Ele falou da luta para mover uma loja de livros. Possuía então duas nos shoppings Jardins e Riomar. Falou da crise da leitura que se acentuava cada vez mais. E outros temas inerentes, entrando nos livros de autores sergipanos. O trabalho que dá administrar individualmente, escritor a escritor (como se cada um fosse uma editora que fornece mil títulos), das queixas dos escritores (vendem pouco, quase nada; mesmo os ilustres recebem de volta pacotes com exemplares encalhados), das comissões cobradas pela Escariz... E mostrou suas defesas, várias, e algumas inquestionáveis. E fez colocações que me atingiram: Os escritores acham que escrever é sua única tarefa. Publicar é obrigação do poder público e vender é função da livraria instalada na cidade. Abandonam os filhos nas mãos dos outros.
Junto ao palco, comentei com Pascoal de Melo, meu eterno confidente, que precisávamos levar os nossos escritores para dentro das livrarias onde estavam nossos livros meio órfãos.

11)   Um documento da história
Dias depois, eu e Pascoal fomos falar com Fátima e Paulo, os donos da Escariz. Logo, elaboramos um ante projeto para funcionamento do que chamamos O Escritor na Livraria. E começamos a experimentá-lo, informalmente.
Com a data de 29 de março de 2014, resgatei de meu computador esse documento que, em linhas gerais, dá a personalidade de O Escritor na Livraria, que funciona ainda hoje dentro do mesmo escopo.
Objetivo: Os escritores sergipanos em parceira com livraria Escariz promovem o movimento “O Escritor na Livraria”. O objetivo é humanizar (divulgar) o nosso livro, possibilitando aos autores, quase sempre seres de outros planetas, estarem ao lado de seus livros, conversando com os leitores. Por decorrência, dinamizando os espaços da livraria e promovendo os escritores e suas obras.
Data: Toda última quinta-feira do mês entre as 17 e 20 horas acontecerá a reunião de final de mês com os participantes. Quinta-feira é um dos dias em que normalmente as pessoas têm poucos compromissos nesse horário. O leitor pode dar uma esticadinha também à livraria.
Local: O local físico da reunião de fim de mês será uma área interna por onde os clientes passam primeiro. Na Escariz-Jardins será no andar térreo, à frente do segundo balcão, ao pé da escadaria que vai à sobreloja. A Escariz disponibilizará duas mesas, cada uma com quatro cadeiras, que serão usadas para expor livros, para debates com leitores ou entre escritores. Os escritores também poderão usar as mesas da área de leitura da livraria em complementação às duas disponibilizadas se houver demanda para isso. A Escariz definirá locais à vista do ambiente para instalação de banners.
Cadastramentos de Livro: Apenas a Escariz poderá comercializar livros no seu ambiente. O cadastramento a entrega de livros devem seguir o esquema padronizado da Escariz. Entretanto, para facilitar a operação de O Escritor na Livraria, poderá ser feito, experimentalmente, na loja do Jardins.
Modus Operandi: Os escritores por moto próprio abordarão os clientes que entrarem na loja, entregando-lhe material publicitário (marcadores de página, cartões de visita, panfletos, ECT) e, se couber, fazendo ligeira explanação sobre sua obra ou sobre um livro. Sobre a distribuição de panfletos na área externa à Livraria Escariz, Fátima verá a viabilidade. Nos dias comuns o escritor trabalhará como se fosse um vendedor, circulando na loja.
Publicidade: (não). Prestação de Contas: (não). Comissão: (não). Livros: (não).
Palestras: (não). Coordenação: (não).
E mais outros tópicos que tratam da Publicidade, das Palestras, da Prestação de contas, da coordenação, da exposição visual dos livros... que pulamos para ganhar alguns minutos.

12)   Avaliação do evento em 27/03/2014: Também de nossos arquivos.
Fizemos testes e achamos que o movimento poderia dar muito certo. Não precisa ninguém se inscrever, apenas que as obras e o escritor estivessem presentes na loja.
Graças à desinibição de dois escritores presentes no sarau de final de mês de março, os poetas Gustavo Aragão e João Lover, pudemos começar as palestras / declamações por parte dos escritores. Constatamos interesse dos visitantes da livraria e se formou, espontaneamente, uma pequena plateia.
Não houve significativo volume de vendas, mas foram plantadas boas sementes.
Cerca de 15 escritores estiveram presentes: Lígia Madureira Pina, Murilo Melins, Martha Hora, Antenor Aguiar, João Lover, Gustavo Aragão, Domingos Pascoal e Antônio Saracura... entre outros.
A próxima reunião/sarau no shopping jardins (Escariz) ficou marcada para o dia 24/04/2014 no horário de sempre. Sobre o Shopping Riomar, poderemos estudar com os promotores (donos da Escariz) outro dia no mês (talvez a última quarta-feira). (Antônio Saracura).

13)   Troca de emails com Fátima: Após a segunda edição de “O Escritor na Livraria”
Fátima Escariz e Mar 27, 2014, às 22:38, 13:39 (Há 2 horas) para mim, Domingos, Domingos, João Lover...
 Boa tarde a todos!
Nosso encontro da quinta-feira foi muito interessante e gratificante. Quanto a panfletagem, infelizmente o shopping não permite fora da loja sem acerto anterior, isso envolverá financeiro. Mas dentro da Escariz e no café São Brás já estamos devidamente autorizados.
Quanto as declamações e recitais vamos rever o local para que nosso balcão de atendimento ao cliente não fique preso.
No mais estamos de acordo. Fátima Escariz.
Antônio Francisco de Jesus respondeu:  ok Fátima. Passarei aí na próxima para ajustarmos alguns pontos visando o prosseguimento de "O Escritor na Livraria". E a expansão. Saracura

14)   A busca ao leitor: O Escritor na Livraria
Qualquer dono de loja reserva os locais mais visíveis de seus mostruários aos produtos que mais vendem. Ele precisa faturar para cumprir as obrigações do negócio. As livrarias também. Nenhum livreiro vai manter uma gôndola com livros que não vendem. É a lei do comércio.
Por que então a Escariz Jardins mantem, hoje, uma gôndola evidente com os livros mais vendidos sergipanos? Certamente porque estão vendendo. O programa O Escritor na Livraria tem a ver um pouco com isso.
Mas ter apenas a gôndola exclusiva não significa que nossos livros vendam mais e mais. Muitos leitores passam por ela e nem olham, nem param um segundo. Como se fôssemos dispensáveis. Tenho inquerido à pessoas que saem da livraria com pacotes livros: O senhor considerou na sua compra os livros de autores sergipanos que estão naquela gôndola?
Afora as respostas mal educadas, prevalecem a de que nem viu a gôndola, nem sabia que havia livros sergipanos que merecessem ser lidos. Alguns nem conheciam qualquer escritor sergipano.
O Escritor na Livraria informa ao visitante da loja de que há bons livros sergipanos à venda. Trata da integração com os leitores e visitantes. E inclui o vendedor da loja, que na ausência do escritor (afinal ninguém e de ferro) sugere bons livros ao leitor indeciso. E o vendedor faz isso com gosto, porque, agora, conhece o escritor e o respeita.
O Escritor na Livraria é um programa de trabalho restrito ainda, precisa crescer mais. Mas promete viver muito, pelo menos enquanto as livrarias viverem, enquanto houver o livro objeto palpável e o escritor material.
Fora da reunião de fechamento de mês, ele é um programa de trabalho livre. O escritor entra na livraria, veste-se de consultor e começa a agir. Sustenta bate-papos com leitores, com estudantes, até com inconvenientes. Divulga a literatura que se produz aqui e subsidia leitores sobre as boas leituras disponíveis, mesmo que não sejam livros sergipanos, mesmo que não sejam os de sua autoria.

15)   Convocação ao sarau de fechamento do mês.
Fui aos arquivos e recuperei o conteúdo de algumas convocações (que sempre fazemos) aos escritores do Grupo Wsap para a reunião mensal de O Escritor na Livraria, da última quinta-feira de cada mês...
Em 2016out27 convocação: O ESCRITOR NA LIVRARIA de encerramento do mês de Outubro, com sarau e tudo mais, será quinta-feira, dia 27, na Escariz Jardins, das 17 às 20 horas. Esse "tudo mais" é a grande novidade, um momento impagável: O professor e historiador lagartense (e do mundo) Claudefranklin Monteiro estará conosco, autografando seu novo livro (recentemente lançado em Lagarto): Contradições da Romanização da Igreja no Brasil (veja a capa ao lado). Lagartenses que vivem em Aracaju! Todos que valorizam uma boa obra! Os leitores, os amigos, os escritores... Alunos do professor, colegas do magistério...
NÃO PERCAM "O ESCRITOR NA LIVRARIA" DESSA QUINTA-FEIRA!. Claudefranklin merece um abraço, sua presença é muito importante.
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Outra convocação: outra última quinta-feira do mês.
Das 17 às 20 (com tolerância para mais ou para menos nos dois extremos), na Escariz Jardins.
O SARAU é aberto. Os leitores também podem declamar.
O Escritor na Livraria aproxima o autor do leitor. E é promovido no local ideal: quem entra em uma livraria é amigo do livro. E precisa conhecer a literatura sergipana (essa é a nossa missão, as pessoas não são adivinhas, temos que anunciar nossos livros).
Graças ao programa (obrigado Paulo, Fátima e todos que fazem a Escariz) a literatura sergipana tem sido muito mais lida (eu não tenho do que reclamar).
Além de bons leitores temos feito grandes amigos. Pra que mais?
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23/09/17 21:35:48: Antônio Saracura: Última quinta-feira de setembro, dia 28, tem o sarau literário de O Escritor na Livraria.
É tradição!
Vou anunciar e declamar partes do novo livro que lançarei na Bienal do Livro de Itabaiana: Os Curadores de cobra e de gente.
Mas tem você, Escritor, que precisa ler lido!
Tem o leitor que nem sabe que o Escritor existe e vai passar na Livraria.
A Livraria é o templo do escritor. Eu sempre estou lá fazendo minhas orações.
Quinta-feira! Marque na sua agenda, a partir das dezessete horas, na Escariz Jardins.

16)   O Escritor na livraria: A crônica de um dia comum.
Segunda-feira é um dia morto no shopping. E o começo da noite mais morto ainda. A Escariz Jardins deve estar vazia, só os meninos de preto arrumam prateleiras. Mas eu tenho minha pregação semanal que farei mesmo no deserto. Cactos, calangos e pedregulhos também são filhos de Deus.
O Escritor na Livraria é um trabalho gostoso mas arriscado.
Gostoso por que semeia poesia, arte literária, fantasia e acontece dentro de uma livraria.  Sempre fui viciado em livraria. Nas cidades por onde passo ou em que vivo, as livrarias são meus bar, igreja e museu.  
Escritor na livraria é um trabalho arriscado. Conquistar depende quase que exclusivamente do conquistador bem preparado.  Avançar em terreno desconhecido envolver riscos, cada alvo é um mundo imprevisível. Como dominar todas as técnicas?  Como conviver e administrar o ridículo, o desgaste social, o mau juízo, a decepção?

Meu corpo esfria... então Jogo um calor em cima que nem sabia que possuía.
Estaciono o carro no lugar da sorte que está vazio. Entro na primeira loja do shopping (o supermercado G Barbosa). Estarei fazendo hora, arrumando coragem?! Já passa das seis da tarde que é meu horário. Deixo chegar mais gente ao shopping, à livraria. Que desculpa mais esfarrapada!
O vozeirão de Dantas Mendes anuncia margarinas e introduz os livros de saracura, quando me vê chegando. Ele ri, e fala no ar: Vá ao meu programa na Aperipê, Saracura, chegue depois das duas e meia. Prometo ir qualquer dia e sigo andando devagar. Compro manteiga que minha esposa nem pediu. Levo duas latas pois o preço da marca mineira está pela metade.
Finalmente, chego à livraria Escariz. Ameaço recuar, mudar o rumo, ir a um cinema e ver um filme. Que covardia!
Entro pelas laterais, olhando títulos de livros que já vira outras vezes. Aproximo-me da gôndola de livros sergipanos.  
Hoje eu não estou nada bem, ando empurrado...
Um cliente entra em meu campo. Ondas de coragem me atingem de raspão. Avalio as armas de defesas dele e me aproximo com uma bandeira branca hasteada nos olhos. Uma aura boa me assume. Cumprimento, dou-lhe um marcador de página. Ele recebe, agradece, mas segue em frente. Tem mais o que fazer, imagino.
Saindo do nada, posta-se ao meu lado, Daniel Nunes, leitor de meus livros e amigo do face, pois se apresenta assim. Como é bom encontrar um leitor, especialmente, se traz na mão Os Curadores de Cobra e de Gente e uma caneta! Batemos um papinho, tiro um selfie para dar sorte.
Lá de cima, no café fans, o peregrino Anselmo Rocha da Compostela, da Serra de Itabaiana, chama-me. Lá também está Samarone, o rei de todas as reuniões. O assunto é a rota do Santo Antônio fujão, da igreja velha à matriz de Itabaiana no próximo dia 13. Sai oito da manhã para chegar a tempo da missa que começa às dez. Oito quilômetros caminhado sob mutucas e banhos de marmeleiro.
Lá embaixo, de onde saí, Geraldo Bezerra me acena, quer me dizer algo. Desço correndo. Ele me fala da Botija da Serra de Itabaiana, de autoria de José Milton Menezes, que acabara de ler. Um bom livro que anda pelas sombras e poucos o acham. Geraldo sobe à reunião dos Peregrinos. E eu permaneço aqui na loja, no térreo.
Agora há clientes circulando. Puxo conversa com Adolfo, que se apresenta. “Eu também escrevo romances. Romances em jogos. Jogos de computador”.
“Mas aqui em Aracaju tem isso?”
Ele diz que não há mais Aracaju, todo lugar é apenas um lugar.
Outros clientes/leitores passam, param, e eu, como beija-flor, voo de um lado a outro, preciso de socorro pois estou só.
Digo, a cada um que alcanço, palavras soltas que são sopradas pelos deuses da literatura:
“Sou escritor, divulgo os livros sergipanos e faço amigos. Temos uma literatura muito rica, que fala de nossos costumes, de nossa gente, de nossos heróis e anti-heróis, de nossas cidades e povoados. 
Outros escritores participam também de O Escritor na Livraria. Logo chegarão.
Como é seu nome? Muito prazer! Eu sou Saracura, das academias sergipana e Itabaianense de Letras (me gabo, por um lapso).
Veja este livro! Acaba de sair em segunda edição. É surpreendente. Ou este outro! Leitura leve, alegre, útil...
Prestigie a nossa literatura. Leve um livro para você ou para um bom amigo. Livro é sempre o melhor presente. Nunca se gasta. Pode ser lido mil vezes, ficar amarelado e roto, mas a história continua viva do mesmo jeito. E depois, quando sua estante transbordar de tanto livro, leve-os à uma escola de periferia, provoque uma solução.
Fico feliz em tê-lo encontrado. Guarde meu marcador de página. Outro dia, com mais tempo, pare aqui nessa gôndola de livros sergipanos. Leia pedacinho do que mais o atrair, certamente vai gostar muito.”
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São palavras e frases como essas que brotam aleatórias e espontâneas nas tardes noites do Escritor na Livraria diante de pessoas carrancudas, enigmáticas, armadas, afáveis, solidárias, crédulas...  As palavras são pronunciadas de mil maneiras, cada uma mais irresistível, sempre envolvidas por um sorriso cativante.  
Uma palavra bem colocada, conquista o coração duro. Um sorriso curtinho e sincero, abre portas, desarma guerreiros.
Para vender livro, entretanto, precisa-se de muito mais.  Pois, hoje, eu não vendi nenhum. Apenas plantei sementes como venho fazendo há seis invernos. Aquele livro que autografei para Daniel Nunes, foi ele mesmo que comprou.

17)   O Escritor na livraria: trovas de encerramento.
Para que vou escrever?
Publicar? Qual a valia
Se não houvesse o programa:
O Escritor na Livraria?

Além de vender mais livros
Novos amigos fazer,
Desperta em nosso povo
A maravilha que é ler

Obrigado ao presidente por ter me incluído na programação de palestras da Academia com O Escritor na Livraria, um tema sem pompa nenhuma.
Obrigado a vocês que permaneceram comigo até agora, atentos, ou nem tanto.
Obrigado, minha esposa, Cida, por ter vindo garantir uma salva de palmas a vocês todos, que peço agora, e faço questão de compartilhar. (...).  Tenho dito.

 (Aracaju, 2019abr08  por Antônio Saracura)

Observação: trazido do Antônio Saracura em 03/10/2023,  havia 52 acessos

2019nov05 bienal do livro de Maceió

 2019nov05 bienal do livro de Maceió, a difícil arte de vender livros(1).



Bons amigos nascerão certamente quando cada um dos que levaram para casa meus livros lerem e se encantarem. Estou mais no Palácio da Associação Comercial acolhido pelas academias de letras, que me deram um cantinho para guardar minha mala de livros. Não sei se devo oferecer meu produto aqui, talvez tomando clientes dos imortais que lançam livros. Então saio andando, como penitente, pelas ruas e pelos espaços que a Bienal ocupa, são muitos e um tanto dispersos. Minha esposa navega melhor do que eu vai me orientando. Ela é minha esperança e segurança nessas aventuras.

Amanhã à noite, vou ocupar, oficialmente, a sala de lançamentos reservada a autores independentes (sem editora), a praça de autógrafos Paraiso de Papel. Fui conhecer o ambiente, ver o que me espera. Lá estava Rafael, que conheci em Paulo Afonso e em Itabaiana, neto do poeta de Cristo; ele é repentista e anima qualquer festa. Também Jorge Calheiros (estrela maior do cordel alagoano), Alexandra Lacerda, Sylvano Gabriel e outros cordelistas... Era a vez dos poetas. O espaço estava vazio enquanto os standes da editoras e livreiros, num plano mais baixo, fervilhava de gente comprando. Nem Rafael com sua viola afinada fazia o povo subir os degraus da catacumba romana.

Quero ver como vai ser na minha vez, pois nem tocar ou cantar eu sei. 
É certo que trago três santos fortes: Pássaros do Entardecer, Minha querida Aracaju Aflita e Os Tabaréus do Sítio Saracura. Mas apenas eu sei disso, ou faço de conta que sei. (Antônio Saracura).


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2019nov04 bienal do livro de Maceió, a difícil arte de vender livros(2).


Ao meu lançamento, na Praça de Autógrafos Paraísos de Papel (uma catacumba romana na entrada dos banheiros do Armazém do Porto), foi pouca gente demais. Apenas Rafael Neto, violeiro repentista de Aracaju que corre mundo e de quem já falei acima; Silvano Gabriel, cordelista e ator consagrado aqui das Alagoas que já leu Meninos que não Queriam ser Padres; Dartanham Holanda, escritor com quem fiz amizade na 8 bienal; o lampiólogo Voldi de Moura, autor de “O Nascimento de Maria Bonita”, que corre o sertão fazendo divulgação; e minha esposa, Cida, que não teve como escapar. Vieram em solidariedade, que muito agradeci, pois animaram minha monotonia, que foi geral ali.
Troquei livros com dois dos seis autores que estavam em lançamento no mesmo horário, os demais prefiram ficar duas horas chupando dedo, como todos ficamos, e retornar para casa com sua ração de cupim ainda lacrada.

Alguns leitores (achei que seriam) passavam correndo, indo aos banheiros segurando a bexiga ou retornando enxugando as mãos, nem quiseram conversa, estavam pressionados por mil urgências, depois viriam. Jamais vieram.
Então, outra vez só, fui oferecer meu livro na feira que fervia em frente, em um nível mais baixo, saindo da catacumba. Abordei perto de vinte pessoas que me pareceram dignas e comprar um livro do próprio autor. Não eram, infelizmente. Retornei à base para cumprir a disciplina, meu horário esgotava-se às vinte e uma e trinta.

Além das duas trocas (Godi, de Fabio Ferreira, e, O Pai Artur e sua Jangada, de Maria Celine Malta), dei “Minha querida Aracaju Aflita” a Dartanhan. Apenas isso para uma segunda-feira de expectativa e bem divulgada, pois meu nome constava de programação e um serviço de alto falante rouco falava da minha obra de quando em quando. Além do que publiquei na rede social “Gente da Gente” um convite tentador.

Aqui nessa bienal espalhada pelo bairro inteiro do Jaraguá, há ilhas isoladas onde nenhum navio atraca. A rua Sá e Albuquerque, entre a Praça da Igreja e o Palácio Museu do Comercio, cabia, em uma das calçadas, os cordelistas com suas banquinhas, os autores independentes divulgando sua literatura (meu caso) e muito mais.

Pensam que vou desistir? Não vou. Antes desistiria de escrever e publicar livros. Vim de tão longe pra quê?

Maceió tem praias paradisíacas. É pegar o petróleo e fazê-lo de bronzeador. Criar ânimo para atacar a Bienal amanhã de novo. Um flanco fraco deve haver, pelo qual a nossa literatura flua fácil; deve haver alguma maneira de fazer as pessoas se interessarem pelos livros publicados aqui. (Antônio Saracura)


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2019nov05 9 bienal do livro de Maceió, a difícil arte de vender livros(3).



Estou hospedado no hotel Saint Patrick, na Jatiúca, ouvindo mais o mar do que o povo zoando no Jaraguá. Mas tanto o marulho na praia como o barulho na Sá e Albuquerque me encantam por igual. Depois do lançamento frio ontem, retornei, estranhamente animado, ao final da tarde de hoje à Bienal do livro.

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Já estou me acostumando com o Palácio do Comércio, onde as Academias Alagoanas me acolherem e até estou me sentindo à vontade entre os imortais deste céu; também com o Armazém onde ferve a feira de livros cheias de títulos a partir de um real; com as oficinas dos cordelistas (a maioria teve que sair pelas ruas anunciando seus livrinhos mágicos), com o Arquivo Público, o Iphan, o Misa, a Praça dois Leões, teatro Homerinho, Beco das Raparigas... Por estes lugares vou plantando minhas sementes e já colhendo frutos. 
Fiz permutas de livros, encontrei leitores que agradeceram a oportunidade de levar para casa um livro autografado. Conversei com cada expositor que me abriu a janela. 

Sentado na Praça dois Leões, pegando uma fuga, conheci Zahira, uma senhora de Piracicaba que desenvolve um projeto cultural no povoado Boca do Rio, aqui em Maceió. Ela me falou de uma Geloteca que tem lista de espera. Zahira veio à Bienal buscar livros para seus agoniados leitores. Levou os meus, de brinde, autografados. Eu queria ir ver a cara feliz dos seus leitores, mas já era dez da noite, hora de retornar ao hotel; e Cida me acenava para ajudar a carregar sua sacola abarrotada de livros que comprara no Armazém, a preço de banana. (Antônio Saracura).





2019nov07 Bienal do livro de Maceió, a difícil arte de livros (4)


(não disponível).



2019nov10 Bienal do livro de Maceió, a difícil arte de vender livros (5)



Nas bienais, as pessoas querem conversar com os escritores locais, os que contam as aventuras de sua gente, mas não os acham em canto nenhum, estão escondidos atrás dos postes ou nas quinas das esquinas fugindo dos fiscais de rua. Alguns deles disfarçam-se em vendilhões furtivos, clandestinos, correndo o risco serem defenestrados. A maior parte assiste a festa com o coração partido: ”bem que meus livros poderiam estar desfilando aqui”.
Eu estou entre estes alguns e tenho a impressão de que sou o único nas bienais de São Paulo, Maceió, Fortaleza, às quais frequento. Nessa Bienal do Livro de Maceió, eu vendi (ou doei ou troquei) mais livros do que esperei. Circulei pela Sá e Albuquerque e seus equipamentos, mas não encontrei outro escritor garimpando leitor como eu fiz. As pessoas (quase todas) vão à Bienal e gostariam de levar pra casa um livro pelo menos. Muitas saem decepcionadas porque nenhum escritor sequer estendeu-lhes a mão ou sorriu-lhes oferecendo um livro.

A Bienal do livro de Itabaiana talvez seja a única no Brasil que reserva espaço nobre ao escritor independente, aquele que publica e que se dispõe a estar presente de corpo em alma. Na última edição (a quinta, ocorrida entre 11 a 15 de setembro do ano em curso) 250 escritores se inscreveram e divulgaram seus livros o tempo todo, sem pagar nada. A praça dos Escritores (como é denominado o espaço do autor independente) foi o coração da Bienal e atraiu leitores que vitaminaram as vendas em todos os demais segmentos.  A pequena renúncia de receita foi recompensada mil vezes mais pelos empreendedores do evento.  (Antônio Saracura). 


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2019nov11 Bienal do livro de Maceió, a difícil arte de vender livros (final)



Fiquei encantado com o sucesso de público da Bienal do livro de Maceió. Nos dois últimos dias, o Jaraguá entupiu. O povo do mundo inteiro acorreu ávido. O livro é um ente mágico e atrai, amigueiro, até quem nunca leu um. Na Bienal do Itabaiana aconteceu o mesmo fenômeno, esperávamos cinquenta mil pessoas e tivemos mais de cem mil anotados pelos apontadores eletrônicos do shopping Peixoto. Em todas as bienais é assim.

Os escritores sergipanos, os que acham que seus livros merecem ler lidos, não podem ficar de fora das Bienais. Muitos nem se ligam na de Itabaiana que fica a quatro passos, o que é muito estranho. Então nem deveriam se chamar escritor.

Precisamos achar uma maneira de participar, legalmente, seja com um stand, que tenha nossa marca: Literatura Sergipana, Livros de Sergipe, ou outra que nos dignifique. Isso para o caso das bienais continuarem discriminando o autor independente, não lhes franqueando um espaço perene, enquanto a feira durar, o que é provável.
As trinta academias de letras instaladas, as revistas e a mídia, também as gráficas e editoras em atividade podem cobrir o custo de um stand.
Os autores assumiriam seus custos pessoais até com patrocínios buscados individualmente.

E temos Domingos Pascoal de Melo, guerreiro da Academia Sergipana de Letras, acostumado a coordenar a execução de grandes projetos de sucesso: instalações das academias literárias, Concursos literários, O Escritor nas Escolas, Escritor na Livraria, entre outros.
Eu me candidato a compor a equipe (espero que Pascoal me aceite, prometo colaborar mais) desse A Literatura Sergipana nas Bienais Literárias.

(por Antônio Saracura)


Fim finalmente

Obs
Migrado do blog  Antônio Saracujra sobre livros lidos onde havia 34 leituras em 03/10/2023